Alimentação Artificial:

Como todo apicultor sabe que, na escassez de alimentos (n√©ctar e p√≥len), torna-se necess√°rio alimentar as abelhas principalmente no inverno e na √©poca de muita chuva. No caso das abelhas ind√≠genas sem ferr√£o n√£o √© diferente, temos que recorrer à alimenta√ß√£o artificial para a manuten√ß√£o de uma razo√°vel taxa de constru√ß√£o de c√©lulas, estimular a postura da rainha e ao mesmo tempo o desenvolvimento das crias.Sem alimento, os enxames diminuem de tamanho e ao longo do periodo, corre o risco de abondono da colmeia.

Podemos oferecer às abelhas esses alimentos de v√°rias maneiras:

a) - XAROPE: O xarope √© uma mistura de a√ßucar (cristal) com √°gua fervida. A concentra√ß√£o dessa mistura depender√° da esp√©cie a ser alimentada. Podemos determinar a concentra√ß√£o desse xarope atrav√©s de um teste muito simples: Prepara-se o xarope em diversas concentra√ß√Ķes de a√ß√ļcar 50% - 60% - 70% - 80%. Coloca-se o xarope num alimentador feito de uma mangueira transparente (conforme ilustra√ß√£o), e vedada nas duas extremidades com algod√£o que dever√° ser embebido no alimento. Usar de prefer√™ncia algod√£o de paina (Chorisia speciosa). Coloque os quatro alimentadores, um com cada uma das concentra√ß√Ķes acima, no interior da colmeia, (na al√ßa) (melgueira) e ap√≥s meia hora observe qual deles foi mais consumido. Este m√©todo √© apenas um exemplo, existem v√°rios outros que podem ser adotados. Uma vez selecionada a concentra√ß√£o do xarope, adequado à col√īnia, passe a utiliz√°-la quando necess√°rio.

b) - CANDI: O candi √© uma pasta cremosa, feita de uma mistura de mel com a√ß√ļcar na propor√ß√£o de 2 : 1 e levada ao fogo brando at√© dar ponto. Ap√≥s resfriar coloque esta pasta na regi√£o dos potes da col√īnia. Fa√ßa esta opera√ß√£o com o m√°ximo de higiene poss√≠vel para evitar o ataque de predadores e a contamina√ß√£o do alimento. Como vimos, o alimento artificial pode ser preparado de v√°rias maneiras. H√° meliponicultores que empregam o mel de Apis para alimentar as nativas (ind√≠genas); eu desaconselho, mas n√£o podemos descartar a id√©ia baseando-se na experi√™ncia do Prof. Dr. Kerr, que utiliza o mel de Apis em seu melipon√°rio localizado em Uberl√Ęndia -MG. Pois bem, at√© agora falamos da alimenta√ß√£o energ√©tica, mas como n√£o poderia deixar de ser √© preciso falar tamb√©m sobre a alimenta√ß√£o prot√©ica. Existem v√°rias formas de se oferecer alimenta√ß√£o artificial a base de prote√≠nas e vitaminas, em substitui√ß√£o ao p√≥len. Vamos dar alguns exemplos: primeiramente podemos oferecer o pr√≥prio p√≥len da mesma esp√©cie, caso haja em abund√Ęncia no seu melipon√°rio em fam√≠lias fortes; em segundo lugar, como no caso dos energ√ęticos, podemos procurar outras fontes de prote√≠nas que enumeramos a seguir: leite em p√≥; farinha de soja; Meritene p√≥ (encontra-se nas farm√°cias)e at√© mesmo p√≥len de Apis mo√≠do em liq√ľidificador (p√≥), colocado em potes vazios da esp√©cie a ser alimentada, em pelo menos 1/3 dos potes, ou em potes feitos com cera de Apis (fechado).

NOTA: Para dar xarope de refor√ßo às colmeias mais fracas, o meliponicultor pode oferecer o xarope, pelo menos, um m√™s de anteced√™ncia as grandes floradas.

Como conhecer o fluxo de alimento de sua regi√£o?

Para facilitar o conhecimento do fluxo de alimento na sua regi√£o crie uma agenda de anota√ß√Ķes, em que s√£o registradas as floradas e √©pocas de ocorr√™ncia. Ao final de um ano voc√™ ter√° uma no√ß√£o de quando ocorrem e da dura√ß√£o das floradas. Procure associar as floradas que voc√™ observa com o desenvolvimento dos enxames e a entrada de alimento. Ao repetir essas observa√ß√Ķes por tr√™s anos voc√™ ter√° um bom calend√°rio das floradas e do fluxo de alimento nos seus api√°rios.

A alimenta√ß√£o suplementar das abelhas Na alimenta√ß√£o das abelhas √© necess√°rio fornecer componentes energ√©ticos, para suprir a aus√™ncia do n√©ctar e, em algumas situa√ß√Ķes, os componentes prot√©icos, para compensar a falta de p√≥len. O fornecimento de uma alimenta√ß√£o energ√©tica e/ou prot√©ica vai depender da defici√™ncia observada na colm√©ia. Com a constru√ß√£o do calend√°rio das floradas voc√™ vai poder identificar as √©pocas em que √© necess√°rio fornecer alimenta√ß√£o e vai saber que tipo de alimento deve utilizar.

Tipos de alimentação

Alimentação de manutenção ou subsistência que é fornecida nos períodos de ausência de floradas, quando os enxames não conseguem obter alimento na natureza. Tem a finalidade de manter os enxames nutridos até o início da próxima florada. Deve ser fornecida preferencialmente em formulação pastosa ou seca para que seja consumida lentamente, assegurando a manutenção do enxame, sem que estimule o seu rápido crescimento.

Alimentação estimulante é fornecida de 30 a 40 dias antes da florada com o objetivo de promover o rápido crescimento dos enxames, deixando-os bem populosos para o início da florada. Para ser eficiente, a alimentação deve simular um forte fluxo de néctar . Por isso é recomendado que seja fornecida regularmente de duas a três vezes por semana e deve ser na formulação líquida.

Formulação de alimentação de manutenção

(energ√©tica e prot√©ica) 5 kg de a√ß√ļcar + 1 kg de farinha de soja + 4 kg de xarope de a√ß√ļcar invertido. Esta formula√ß√£o tem consist√™ncia pastosa e deve ser utilizada em alimentadores de cobertura ou espalhada sobre os quadros abaixo da tampa.

Formula√ß√£o de alimenta√ß√£o de estimula√ß√£o (energ√©tica) Xarope de a√ß√ļcar invertido: 5 kg de a√ß√ļcar + 2 litros de √°gua + 5 g de √°cido c√≠trico. Preparo : misturar o a√ß√ļcar e a √°gua e aquecer at√© a fervura. Ao iniciar a fervura, adicionar o √°cido c√≠trico e manter no fogo por mais 3 minutos. Ao final da prepara√ß√£o o xarope fica bem denso (grosso). Fornecer a mistura fria e dilu√≠da na propor√ß√£o de aproximadamente 1 parte de xarope de a√ß√ļcar invertido para 1 parte de √°gua.

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